Sobre o “mimimi” e liberdade

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A internet está cada vez mais interessante. Uma razão é a pluraridade de fontes e notícias que temos hoje, em contrapartida com as opções escassas que tínhamos no passado. Outra razão, é o experimento antropológico que ela nos convida a presenciar  (sem contar os memes!).

Assim, pluraridade de assuntos e opiniões surgem. E em uma dessas oportunidades li algo sobre : “se você ofender alguém/categoria, por que tem que pedir desculpas? Que tempo chato de mimimi em que nada mais pode se falar”. Ora, não controlamos o que os outros pensam sobre nossas colocações. Se a pessoa se sentiu ofendida é “problema” dela. Sim ,é verdade, pois por mais que sejamos cuidadosos, pode ser que ofendamos alguém (ainda que haja vários níveis de ofensas). Mas sabe, acho muito triste quando ofendemos alguém e esse alguém fica triste. Pode parecer infantil essa colocação, mas pense  no significado básico dela: como é triste deixar alguém triste…

Outro dia um amigo meu me corrigiu pois usei uma palavra que denotava de forma peorativa uma categoria. E eu nem percebi! Achei ótimo ele me chamar a atenção pois eu nem havia percebido que eu poderia ofender alguém. Que desatenção minha! E essa desatenção poderia deixar alguém mais miserável  …

Por isso, quando surgem essas discussões para repensarmos nossas opiniões, os valores com os quais fomos criados, os valores com os quais realmente temos afinidade, nada mais é que uma ótima oportunidade que a vida nos dá de repensar nossos apegos, nossos condicionamentos e preconceitos. Para que? Para acessarmos aquele arquétipo de um velho sábio que mora nas montanhas das nossas mentes e às vezes deixamos que ele apareça. E ele falaria para termos mais sabedoria, mais empatia, menos intolerância, menos ódio, menos ganância. De novo, para que? Para que consigamos “perder tempo” com coisas e assuntos que realmente engrandecem a humanidade. Como teremos paz , amor e liberdadese só semeamos ódio e intolerância?

No fundo criamos a realidade em que estamos e o presente é apenas os efeitos de nossos posicionamentos passados. Para criar o futuro devemos prestar atenção no que fazemos e pensamos no hoje. Ao ponderarmos velhos hábitos, criando novas opiniões e novos posicionamentos, ao prestarmos atenção sobre a razão dos nossos comportamentos, ao alinharmos tudo isso à harmonia pessoal e social, estamos cada vez mais pertos do livre-arbítrio.

E o livre-arbítrio é algo que fascina a humanidade. A mídia (e os detentores de privilégios) romantizam e vendem a tal da “liberdade e felicidade” em forma de objetos, consumismo e ideais. Você é mais livre se consumir este carro que tem até microondas, você é mais livre e feliz se tiver esses produtos que retardam seu processo de envelhecimento pois envelhecer é feio, você estará imensamente realizado/a se conseguir atingir esse status de cor diferenciada do cartão de crédito. O livre-arbítrio não é nada disso. A liberdade não é nada disso. A liberdade, como diria Nina Simone, é não ter medo. E como se transcende os nossos medos? Conversando com eles de frente para ver se eles realmente fazem sentido, se eles realmente nos dão ou tiram forças.

Quando surge discussões sobre questionamentos acerca de um status quo, sugiro que observemos. Nem precisamos opinar, mas importante é observar e tentar aprender no processo. O que um fala, o que o outro, e etc. O que penso conforme meus preconceitos perpetuando sentimentos como intolerância, ódio, ganância, e o que penso conforme a minha vontade de ser verdadeiramente livre, perpetuando sentimentos de empatia, tolerância, amor e generosidade. O “mimimi” desse comentário que citei é necessário. Senão, muitas ações históricas de atentado à própria humanidade ainda se perpetuarão.

Os grandes sábios das filosofias orientais sempre nos tentam ensinar: tenha uma mente de principiante (Shunryu Suzuki), tenha uma mente aberta, sem preconceitos, para melhor aproveitar as oportunidades que a vida te dá e refinar sua alma, sua conduta, seu amor por você e pelos outros.

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