Acupuntura

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A Acupuntura é uma modalidade de tratamento da Medicina Tadicional Chinesa. É realizada com aplicação de agulhas em certos pontos do corpo por onde passam os meridianos, ou seja, canais por onde circula o Qi.

É uma prática antiga, que nasceu na China há aproximadamente 5 mil anos, e o primeiro registro literário é o Nei-Ching do lendário Imperador Amarelo.  Posteriormente, outros países orientais contribuíram para o desenvolvimento das técnicas de acupuntura, sendo portanto uma prática que vem sempre se aperfeiçoando e nunca se anulando.

A Medicina Tradicional Chinesa baseia-se em princípios do Taoísmo, dentre os quais figuram a dicotomia Yin-Yang, o Qi, os meridianos e os 5 elementos.

Como já discorrido na seção “Filosofia Oriental”, o conceito de Yin e Yang é representa a consciência da dualidade de todas as coisas, bem como a transformação de uma força em outra, e portanto, a constante mudança no universo. O Yin que representa o feminino, a escuridão, a noite, a estrutura, o frio, é oposto ao Yang que é o masculino, a claridade, o dia, o sutil, o calor, e assim por diante. São opostos sim, mas sobretudo complementares sendo que um não pode existir sem o outro.

Mais uma vez, comparando-se ao pensamento ocidental baseado na lógica aristotélica, que não permite a existência dos opostos, o conceito de Yin-Yang acolhe e dá espaço para a existência dos opostos. O dia está claro e o dia está escuro pode coexistir. Tudo é relativo.

Como tudo contém essas duas forças, as interações delas no corpo humano é que nos fazem viver e morrer.

Com diversas formas de diagnóstico, tais como a pulsação, a observação e aspectos da língua, a cor e aspectos da pele, cheiro, apalpação abdominal,  anamnese, história de vida, emoções, hábitos alimentares,  e a própria conversa com o paciente, traça-se um perfil de deficiência e excesso entre os 5 elementos e a partir daí, o rumo do tratamento.

A doença é fruto da desarmonia da interação entre homem, família e a natureza.

A Acupuntura vê o paciente como um todo e acredita na capacidade curativa do próprio corpo. Conceitos que permeavam também o pensamento de Hipócrates, considerado o pai da medicina (embora atualmente, a Medicina Ocidental adote uma visão mais Reducionista).

O ideal é que se complemente a visão oriental com a ocidental, de modo que se potencialize o tratamento de cura do paciente.

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Hipócrates, considerado no ocidente como o pai da medicina, nos deixou um legado que muito mais se aproxima da medicina chinesa do que a medicina praticada hoje no ocidente. Além da teoria dos humores – fluídos que, acumulados no corpo, poderiam ser causadores de doenças ou sintomas – manifestou a concepção de enfermidade como uma ruptura do equilíbrio orgânico cujo tratamento consistiria na tentativa de reequilibrar o organismo. Segundo ele, o paciente só poderia ser visualizado como um tod–o e nunca compartimentado. Portanto, para a elaboração de um diagnóstico correto, o médico deveria investigar tudo, inclusive os hábitos de vida do doente. A observação deveria ser acurada e global, para que nenhum detalhe se perdesse. Segundo Hipócrates, é preciso estudar o doente e não a doença.
Já outro médico, também famoso, Cornelius Celso, nascido em Verona em data incerta, e que deixou magníficos trabalhos de medicina, como cirurgias de hérnias, amputações e tratamentos de feridas profundas, contestou a idéia hipocrática de que o corpo podia possuir forças curativas e acreditava que a cura de doenças dependia unicamente da intervenção médica. Este pensamento, intervencionista, é o que predomina até hoje.
 

Outros médicos, como Galeno, influenciaram sobremaneira os rumos da medicina. Além de criar uma metodologia própria para manipulação de pós e extratos, criou também um método de terapia muito semelhante à tradicional medicina chinesa como, por exemplo, tratar com calor doenças do frio ou com umidade doenças de secura.
Outras ciências, como a física, química e a biologia contribuíram, de alguma forma para que a medicina se definisse como a medicina ocidental de hoje ou a medicina oriental. Segundo René Descarte, famoso matemático e filósofo, o corpo era como um relógio, composto de partes com funções específicas, exatamente como Newton via o universo, um grande relógio com leis simples que determinavam seu funcionamento mecanicamente.

 

Diderot, outro médico francês, do século XIX, ressuscitou uma antiga teoria, denominada de Vitalismo, que acreditava que todos os fatos inexplicáveis da natureza eram originados da força vital, responsável pela vida. Com as descobertas de Pasteur, também no século XIX, e outros avanços técnicos, o Vitalismo deu lugar ao Reducionismo, que é acorrente que predomina até hoje, que diz que o conhecimento se deve a compreensão do funcionamento microscópico dos organismos vivos.
Baseado nesta corrente filosófica é que a medicina ocidental tende a reduzir os fenômenos aos seus elementos mais simples, buscando um único efeito causador, para que possa estudá-los separadamente.
Como conseqüência disto temos a tendência ocidental de separar a doença do paciente e do meio ambiente para tratá-la isoladamente.
Já o pensamento chinês vê a doença como a ocorrência simultânea de diferentes fenômenos provocadores de uma desarmonia entre o homem, a família e a natureza, por isso o tratamento visa restabelecer padrões de harmonia que conduzem não só a cura mas à prevenção de outros estados patológicos.
É fácil perceber, então, que a medicina ocidental é muito mais “Corneliana” ou Reducionista que Hipocrática, como costuma se definir. Este termo, Hipocrática, é muito mais cabível para a medicina chinesa, como Acupuntura ou Fitoterapia.
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