Que suas palavras não sejam apenas ruídos – Mestre Kino Kazuyoshi

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Imersos em dramas, cansaço, stress, ansiedade, motivações, desmotivações, propósitos, será que conseguimos tempo e energia para ponderar nossas palavras?

No livro “Para uma pessoa bonita” da Mestre Zen Budista Shundo Aoyama Rôshi, há uma reflexão interessante sobre como utilizamos as palavras e como hoje damos ou não importância para como as proferimos:

“É significativo que antigamente se usasse o termo “kotodama”, que literalmente significa “o espírito das palavras”, para mostrar que as pessoas acreditavam que aquilo que era dito se tornava realidade. Devemos ter cuidado com as palavras, pois, como as fisionomias, elas revelam a personalidade de quem as usa. No entanto, palavras bajuladoras soam insinceras, falsas, feias. Palavras bonitas são palavras corretas, oportunas, cheias de amor. São as palavras que surgem naturalmente de pessoas realmente bonitas.”- Mestre Zen Budista Shundo Aoyama Rôshi em  Para uma pessoa bonita  

Há tanta energia, intenção e emoção por trás das palavras… Se assumíssemos mais a responsabilidade sobre tudo isso ao utilizarmos as palavras, quem sabe conseguiríamos por meio delas entender nós mesmos (nossa energia, intenção e emoção), e quiçá, por bem nos posicionarmos de forma justa e honesta, e talvez assim também entender a energia do outro, suas intenções e emoções. Pra que? Para comunicarmos melhor conosco mesmos e com os outros. E isso não é harmonia? Não traz paz e plenitude?

“Antes de falar, Buda sempre prestava atenção a três coisas. Primeiro, verificava se aquilo que estava por dizer correspondia realmente à verdade. Em seguida, considerava se suas palavras seriam mesmo benéficas para o ouvinte. Depois de considerar esses dois pontos, em seguida escolhia o local e a hora mais adequados para abordar o assunto. Em alguns casos, ainda que se tenha que dizer a verdade, é melhor calar. E se devemos realmente falar, muitas vezes provocamos consequências negativas apenas porque o lugar e a hora não foram escolhidos corretamente. Buda era tão atento a esses princípios a ponto de os aplicar mesmo para pronunciar uma única palavra. As palavras mais belas surgem naturalmente de uma vida pura e cheia de amor, como a de Buda Shakyamuni, e sua elegância está em preocupar-se realmente com o bem-estar do próximo.”- Mestre Zen Budista Shundo Aoyama Rôshi em  Para uma pessoa bonita  

As palavras têm um poder imenso. Será que utilizamos elas ao nosso favor? Ainda, ao favor de nosso dark side ou do bright side?

Tenham um bom dia!

🙂

 

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Imagine esse cenário: 8 horas no mínimo de trabalho em frente ao computador, levantando-se apenas para tomar um café ou ir ao banheiro. Aquela postura de guerra  com os braços armados, os olhos concentrados no horizonte da tela, a mente à mil, a respiração curta e ansiosa, a postura curvada para proteger-se (do que?), a tensão emocional, o stress, as pressões, os prazos, os egos, tudo junto e misturado. Todos os dias.

E todos os dias de trabalho acontece isso. Dia após dia o corpo vai sofrendo esses estímulos sem relaxar.Começam a aparecer dores, no quadril, na lombar, nas costas em geral, pescoço, dor de cabeça, dor de estômago, sensação de desconforto e angústia no coração, sensação de falta de algo, exaustão, necessidade de sentir-se vivo, irritabilidade, necessidade de plenitude.

Conhece alguém que possa estar passando por isso? Ou, reconhece-se nesse cenário?

Se percebêssemos como o nosso corpo é sagrado, como deveríamos cuidar dele melhor para nosso próprio benefício, que corpo e mente não estão dissociados, que a saúde é um conjunto de pequenas ações que fazemos todos os dias conosco mesmos, estaríamos um pouco mais perto de um coração pleno e harmonioso.

Agora vem aquele grande peso de culpa e arrependimento? Ok, isso é normal. Mas ficamos parados aí ou partimos para o próximo passo?

🙂

2017: Busque a luz! Celebração de ciclos novos

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A vida é um sopro. Antes de Oscar Niemeyer eternizar essa frase, Buda Shakyamuni já nos ensinava que a vida de um homem dura de um sopro à outro. Quando não inspiramos mais, morremos. Nossos ciclos iniciam-se a cada respiração. Não é emocionante? 🙂

E com muita alegria e gratidão, recebo a vida que me vem todos os dias, presenteando-me com pessoas especiais, situações maravilhosas, situações difíceis, percalços, leveza, e toda a riqueza que podemos identificar quando estamos com a mente e o coração abertos e atentos.

Pois a cada acontecimento, surge uma oportunidade de eu resgatar meu livre arbítrio, de resgatar meu poder sobre as minhas decisões e sobre o rumo que toma a minha vida. Surge a oportunidade de eu aplicar os ensinamentos de pessoas mais sábias, de errar, de me acolher e de aprender.

Assim, a cada respiração, a cada ciclo, tenho a oportunidade de conhecer à mim mesma e a mesma humanidade em cada pessoa que encontro.

Obrigada pela afinidade que cultivamos nesse ciclo que passou, e que 2017 seja um ano repleto de bons inícios, bons meios, bons fins e recomeços. E que possamos estar mais perto da luz 🙂

Shantideva em Way of the Bodhisattva (O Caminho do Bodhisattva)

May I become at all times, both now and forever: a protector for those without protection; a guide for those who have lost their way; a ship for those with oceans to cross; a bridge for those with rivers to cross; a sanctuary for those in danger; a lamp for those without light; a place of refuge for those who lack shelter; and a servant to all in need.

Natureza e Pertencimento

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Quando estamos rodeados de concreto, de obras magníficas que o homem foi (e sempre será) capaz de fazer, das conquistas da racionalidade, decerto nos encantamos. Contudo, quando ficamos muito tempo imersos nesse contexto, esquecemos um pouco da nossa conexão tão visceral e necessária com a natureza.

E a natureza nos lembra de onde viemos, como a vida acontece, como podemos ser acolhidos, como podemos relembrar e sentir o que é pertencer a algo. A vida e a morte, a impermanência, o papel de cada um, ciclos e a incrível e acalentada sensação de que fazemos parte do todo e o todo faz parte de nós.

Por isso, aos meus pacientes super urbanos, indico que de tempos em tempos, visitem a natureza, seja a praia, o campo, o cultivo em casa, não importa. O que importa é que nos relembremos o quanto há de grandioso e pequeno em tudo que vivemos, com todos que nos relacionamos e principalmente, que com nossas limitações e potenciais, ainda pertencemos a algo maior que nós e a quem devemos humildade e respeito, pois a Natureza e o Universo são abundantes e generosos conosco.

É simples assim. Se você estiver aberto, humilde e encarar a natureza com respeito, você tenderá a ver como ela, e a entender com ela. Ela te apresentará o caminho do que é natural para qualquer escolha vinda do coração e da mente, mas só você escolhe se realmente deseja trilhar.

🙂

E se ensinássemos as crianças a meditar e a lidar com as emoções?

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E se eu disser que tudo na sua vida é uma mera desculpa para você aprender mais sobre você? Seu trabalho, seus relacionamentos, suas criações, sua família, as pessoas que você escolhe estar na sua vida, a refeição que você come, tudo o que você negligencia, tudo o que você odeia, e também o que você ama? Tudo isso está apenas te sinalizando sobre o que realmente existe em você mesm@.

Em algum momento nos preocupamos em ensinar as crianças valores e princípios que achamos valiosos para formar um novo indivíduo (ok, nem todos, nem sempre). Mas será que se ensinássemos as crianças a meditar, a tentar identificar suas emoções e a lidar com elas, não teríamos adultos mais conscientes de si próprios, e talvez mais realizadores de seus potenciais?

Será que não haveria uma sociedade que valorizasse as relações humanas muito mais do que resultados financeiros e status? Que seria mais natural e fluído identificarmos a humanidade que existe em cada um de nós, e por isso seria também mais fácil amar a si mesmo e aos outros, sem que o medo (nos vários níveis do medo: do desconhecido, de não ser suficente, da escassez, da falta de capacidade, e etc) fosse o dominador das relações humanas?

Não que a meditação seja a única ferramenta, mas ela é valiosa. Ela proporciona ao indivíduo alcançar a sua sabedoria e sua maturidade, enxergar o que está acontecendo e com o suporte certo, mostrar à ele sobre sua própria capacidade de resolver problemas, de crescer por causa deles, e transformar as situações em prol de seu crescimento evolutivo e consequentemente, dos demais envolvidos.

Lidar com as nossas próprias emoções, nossos porões mentais exige coragem. Vamos ser corajosos, juntos? E para as próximas gerações? É possível …

🙂

Processos de purificação

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Tudo que entra pelos nossos sentidos, faz seu papel em nosso corpo, mente e alma, e deveria sair. Assim como a comida e as bebidas que ingerimos. Se não eliminamos, rapidamente nosso organismo reage para que se cheguemos à homeostase, que por meio de alguns processos de auto-regulação, avisa-nos do perigo que é guardar em nós, coisas que deveremos eliminar.

Quando comemos algo que não nos faz bem, quando bebemos algo que afeta nosso Fígado, quando vemos algo que nos fere o coração, ouvimos palavras que não digerimos bem, sentimos emoções que não nos deixa mais alinhados com a luz, mas com as nossas sombras. Tudo isso faz parte do ciclo da vida, de aprendizagem, e deveria ser algo para construirmos um degrau e não ser uma pedra paralisante em nosso caminho.

Porém não nascemos sabendo como lidar, como purificar certos fatores, e como fazer a alquimia de transformar o que nos machuca, em algo belo. Precisamos de professores, de técnicas, de ensinamentos, de uma vontade própria e disciplina para podermos reconhecer quais são os nossos processos dolorosos, como os purificamos e como conseguimos nos alertar para a nossa infinita capacidade de realização sobre nosso próprio corpo, mente e espírito.

Você já parou para pensar sobre isso? Como purificar o ódio, a ganância, a mesquinhez, a ignorância, a intolerância ? Os meios são infinitos, mas a resposta sempre será, com amor.

E não o amor em sua forma mais vulgar, mas a sua forma mais refinada, quando em suas ações e pensamentos baseiam-se na alegria, compaixão, equanimidade e amor.

Ao reconhecermos qual é a melhor forma de nos purificarmos (seja tomando um banho, ouvindo uma música, pensando sobre a vida, conversando com alguém, trocando sentimentos, comendo uma comfort food, doando, andando, apreciando algo, rindo, …), teremos a confiança sobre a nossa própria capacidade de conseguir lidar com qualquer coisa que está por vir. Apreciaremos, agradeceremos e seguiremos em frente. Assim, o fluxo de energia sempre continuará criativo e em movimento, essa auto-regulação fará a nossa vida mais significativa e plena.

Simples e complexo, por que não?

🙂

 

 

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Organizar o corpo e mente no Espaço Kawa

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A proposta do Espaço Kawa é auxiliar as pessoas a se organizar. A massoterapia auxilia na organização do corpo; a acupuntura, na organização do corpo e mente/energético; a meditação e os cursos de filosofia ajudam a organizar o corpo, mente e o próprio caminho espiritual.

Quando nos tornarmos saudáveis nosso corpo funciona de forma harmônica, temos consciência e confiança sobre como nossa mente funciona e como lidamos com ela. Ou seja, mesmo no caos, conseguimos nos organizar, alinhamos nossas ações com o que pensamos e acreditamos. E isso nos dá paz e serenidade.

No nosso corpo e mente sempre há processos de desequilíbrios e equilíbrios. O equilíbrio estático é morte. Pense numa poça de água parada. O equilíbrio dinâmico é movimento, é vida, é encontrar uma nova alternativa ao modus operandi. No entanto, diante de um mundo fugaz, demandante, cheio de estímulos, e por falta de uma deficiência no relacionamento conosco mesm@s, muitas vezes negligenciamos nossa organização interna e acabamos doentes fisica e psicologicamente.

Por que dói aqui? Por que aqui está tenso? Por que me comporto dessa forma quando há esse tipo de gatilho? Como ver meus pontos cegos? Eu sei me relacionar comigo mesm@? E com o ambiente ao meu redor? Eu sei enxergar minhas limitações? E ainda, eu sei torná-las ferramentas para trabalharem ao meu favor e não contra mim? Eu sei me amar? Eu sei quais motivações estão por trás de cada emoção minha? Eu sei como me melhorar? Eu sei separar quais as minhas próprias crenças e quais as crenças externas que internalizei? Eu confio em mim? Eu confio na minha habilidade de lidar com as situação fáceis e difíceis? Eu realmente sei o que é carpe diem, aproveitar o momento?

O Espaço Kawa oferece ferramentas para que saibamos quais perguntas efetivamente perguntar e assim, como auxiliar nessa organização pessoal, para que cada pessoa aprenda ferramentas que explorem seus próprios potenciais e trabalhem suas próprias limitações de maneira empoderada e construtiva. Isso é saúde!

🙂

 

 

 

Destreza: “A mão de alguém de 14 anos não tem a mesma precisão de alguém de 30”

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Assistindo o documentário no Netflix sobre Alain Passard, o chef francês dono do restaurante Arpège, pude entender um pouco de como é belo o processo de alguém com resoluções próprias levadas ao cabo, e a percepção de que tudo pode ser mais belo, gracioso e elegante.

Alain reinventou o conceito de seu próprio restaurante em uma guinada corajosa (pois poderia perder suas três estrelas do Guia Michelin) ao servir legumes da mesma forma que antes servia carnes, executando tipos de preparos parecidos com os que fazia com as carnes só que agora recriando-se em vegetais, cores, texturas, e sabores.

O cuidado com sua arte, desde a escolha do solo em que se deseja plantar um legume, até a atenção aos gestos quando na execução da formação do prato, Alain nos mostra a responsabilidade e a apreciação da maestria que adquiriu com o tempo.

Cita que desde pequeno estava inserido em uma família que incitava o trabalho artístico com as mãos, seja na cozinha, na costura, na escultura, na música. Mas que só com a prática, com influência dos melhores professores (um em especial), pôde perceber que há mil maneiras de se fazer algo, mas somente uma de se fazer com elegância, amor e maturidade.

“A mão de alguém de 14 anos nao tem a precisão de uma mão de alguém com 30”, diz.

A mão de um massoterapeuta de 14 anos não tem a precisão e acrescento, a sensibilidade de uma mão de alguém com 30. A mão de um estudante de música de 14 anos não tem a mesma precisão, sensibilidade e elegância que a mão de alguém de 30 anos… Chegar à esses 30 com dedicação, prática e percepção da maturidade, é um belo processo de se descobrir, por meio da curiosidade e dedicação, novas maneiras de se aprimorar, reinventar-se, de atentar-se ao que é palpável, técnicas, e perceber o surgimento da sensibilidade impalpável em detalhes.

As artes para serem genuínas, demandam tempo de maturação, apreciação e refinamento. Da cozinha à medicina, do varrer o chão à resiliência de percalços. Pratique.

🙂

“If you stay true to yourself, you will never be lost/Se você for verdadeiro consigo mesmo, você nunca se perderá.”

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Lao Tzu em Tao Te Ching disse:  “If you stay true to yourself, you will never be lost/Se você for verdadeiro consigo mesmo, você nunca se perderá.”

Primeiramente, sabemos o que é o verdadeiro e o que é falso em nós? O que vem de nossa essência e o que vem do mundo exterior (condicionamentos, etiqueta social, manipulação, alienação, etc etc…)?

Embora seja um pensamento simples, é de extrema complexidade colocá-lo em prática, pois primeiro precisamos conhecer o que nos é verdadeiro. Para isso, precisamos passar pelo falso, quebrar a cabeça e ver que o falso não se sustenta em nossa vida, não nos comove, não nos preenche e não nos é consistente. Às vezes demoramos anos, década para aprender os nuances, pois nada também se apresenta facilmente distinguível, nada é branco e preto, tudo é cinza.

Muitos são os caminhos para isso, e práticas meditativas frequentes, cuidados com o corpo e mente, técnicas que procuram o reestabelecimento do fluxo de energia, auxiliam-nos a acalmar. Quando nos acalmamos temos terreno para começar uma organização, uma maturação da nossa percepção. Hemos de contar com a força de vontade própria também, essa às vezes tão dispersa, mas que precisa ser cultivada nesse tipo de processo.

Assim, uma vez que tiramos cada vez mais as camadas que não nos deixam ver o que nos é verdadeiro, mais e mais temos a oportunidade de ficar em contato com o que é essencial, a ponto de experimentarmos não ter qualquer sensação de se estar perdido, e por sua vez ampliando a sensação de pertencimento ao todo.E isso é algo muito próximo da paz interior e felicidade plena.

🙂

Cultivo e o tempo

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Sabemos cultivar o amor, a sabedoria, a benevolência? Sabemos identificar que as situações tem um tempo de maturação? Sabemos aproveitar os aprendizados que a vida está constantemente nos sinalizando? A resposta infelizmente é não.

A maioria das pessoas encontra-se tão imersa em tensões, stresses e círculos que vão contra a naturalidade… e o resultado são pessoas desconexas de si mesmas e do ambiente ao seu redor.

Quando trabalhávamos com a natureza, tínhamos uma sensibilidade e uma sabedoria maior sobre as questões da vida, pois observávamos como a ela se comporta e a partir daí, tentávamos replicar isso em nossas vidas.

A cultura midiática reforça o contrário. Respostas imediatas, consumo imediato, relacionamentos imediatos, tudo há de ser instantâneo para não “perdermos” tempo. Ora, o tempo é importante! Fazer sua própria comida vez ou outra é importante para que resgatemos o poder sobre o nosso corpo. Esperar que o chá tenha seu tempo para ficar pronto é importante! Cultivar uma planta e saber que ela atende às leis naturais e seu crescimento depende de algumas variáveis importantes, assim como os sentimentos, assim como as situações que queremos em nossas vidas, e assim como os relacionamentos. O tempo é importante.

Precisamos lembrar disso, antes que o imediatismo consuma as nossas melhores oportunidades para crescermos sobre nossas limitações, para expandirmos nosso potencial de se conectar com o que nos é essencial.

Comece cultivando uma planta. E depois me conte 🙂